Mulher Árida
A porteira, a corrente
E a partida do menino
O choro da mãe latente
Entre aquele sol noturno
Percorri com ela caminhos de terra seca
As nuvens sobre o céu azul improlífico
A doçura e beleza árida de Darlene
Alegria fundada na imensidão da tristeza sua
Ao ver partir a cria
"Eu butei barriga e é teu!"
E esse seu de mim
Tive que partir
De fazer cruzar a porteira daquela profusão de terra vermelha
E me fiz ir...
Me fiz deixar...
Acompanho ela - A mulher
Sua sedução de barro
Autônoma de seus desejos
Seu corpo, seu cajado
Sua fortaleza, sua fraqueza ainda sim forte.
Nos rios cruzados
De roupas lavadas
Segue Darlene nua,
Risonha de seu pertecimento
Se deita, copula ela
No canavial, no rio, no chão de barro
Celebra cada cria feita
Fortifica seus pés-raízes
Linda Darlene
Mulher de áridez fértil
De mãos cálidas
Celebrante da vida
Tão doce e tão severina.
Inspiridado no filme: Eu, tu, eles.

1 Comentários:
adorei.
fiquei encantado com os olhos brilhando a cada verso.
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