Escritos Insanos e Sadios

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Reflexo

Perdi minha espontaneidade
Agucei meu ego
Aticei a superficilidade
Provoquei a carencia e a necessidade
Me olhei pelo reflexo de um espelho
em pedaços
Preciso me reinventar com urgência
Esta imagem pérfida que vejo
Me nega o tempo todo
Nubla minha beleza
Desencoraja minha vontade
Desacredita minha capacidade.
Vou me refazer dos cacos desse espelho
e reinventar uma nova imagem...

Sundj

terça-feira, 29 de setembro de 2009
















Foto de Naiana Sundjat
a
- Paramana-Ba.


Primeiro Andar - Los Hermanos

Já vou, será
eu quero ver
o mundo eu sei
não é esse lá

por onde andar
eu começo por onde a estrada vai
e nao culpo a cidade, o pai

vou lá, andar
e o que eu vou ver
eu sei lá

não faz disso esse drama essa dor
é que a sorte é preciso tirar pra ter
perigo é eu me esconder em você
e quando eu vou voltar, quem vai saber

se alguem numa curva me convidar
eu vou lá
que andar é reconhecer
olhar

eu preciso andar
um caminho só
vou buscar alguém
que eu nem sei quem sou

Eu escrevo e te conto o que eu vi
e me mostro de lá pra você
guarde um sonho bom pra mim

eu preciso andar
um caminho só
vou buscar alguém
que eu nem sei quem sou

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Eu e Sophie

Através de uma carta, a Sophie recebeu o rompimento de uma vida a dois – Cuide de você, ele disse.
Eu, através de um telefonema recebi o aviso de uma desconexão que estava num por vir muito próximo.
Eu e Sophie somos estranhas, não conversamos, nem nunca nos falamos, mas nos comunicamos através de um canal que nos é em comum – A despedida.
Ela, por ter como companheira a arte resolveu publicar a tal carta para várias mulheres e registrar de maneira diversificada a reação de cada uma delas.
Eu, antes do aviso, já tinha conhecimento de sua exposição, mas agora parece que a Sophie de alguma maneira se tornava minha companheira nessa nova trajetória.

Ao entrar na primeira sala de exposição, me deparei com vários quadros de imagens em movimento onde todas as mulheres, todas exceto uma, liam a carta de despedida da Sophie. Essa em exceção me fez lembrar de mim, antes da despedida e depois do telefonema..Ela não estava com a carta na mão, ela simplesmente dançava.
Ao saber que a despedida estava próxima, eu coloquei a música mais animada e fui dançar entre as águas que lavavam meu corpo.
Naquele banho parece que eu me lavava de todas as tristezas daquele amor e me preparava para a hora tão aguardada.

Não sei como foram os dias da Sophie, adoraria conversar com ela, mas os meus estão traiçoeiros. Me sinto forte e segura porque precisávamos partir, mas fico triste com o silêncio – aliás, era já pra eu ter acostumado, porque o silêncio sempre fez parte de nossa história. O silêncio, sentimentos calados, vontades não ditas, e agora será assim também na despedida.

Gostaria de saber como ele está, como ele sente essa despedida.
Se ele está feliz e aliviado, ou se está triste e com dúvidas...
Mas ele só me dará o silêncio.
Ele me disse uma vez que eu o conhecia, que eu tinha a chave engraçado tudo está nublado agora. Não consigo enxergar.
Eu darei sempre estas palavras, mas ele me dará apenas o silêncio.

Assim é minha história com a Sophie, alguém que leu minha alma através da dela, e com tudo isso espero um dia poder transformar essa partida em algo tão belo quanto a arte de Sophie.

Sundj.

Exposição 'Cuide de você' - Sophie Calle (MAM Ba)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Lembranças num amanhecer

Um vazio enorme no peito
Me acompanha agora depois de sua partida
No amanhecer
Lembro o sabor do seu café
Na pressa da ida, às cinco da manhã
Para mais uma lida no trabalho
Cansativo e desanimador...

Fico agora com os presentes
Que você me ofereceu
Fico com essas palavras
Que você conseguiu enxergar na minha alma,
Fico com as aventuras
De viagens não planejadas

Fico com cada aprendizado
De perceber a vida em suas minúncias, em coisas simples...
Fico com a empolgação que me deste
A cada novo sonho,
A cada nova proposta que surgia da vida...

Até esse sofrimento vindo da partida
É singelo
É, porque foi você.
Porque só um amor vindo de nós dois,
Poderia na partida
Oferecer ternura.

Nesta partida, fico então
Não com a despedida
Fico com os presentes
Que você me ofereceu...



[Depois de uma noite sem dormir,
Num amanhecer de lembranças...]

Sundj (Bua)

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Despedida




















Foto de Naiana Sundjata


Quando a história de amor está prestes a acabar

As horas se arrastam
Num compasso cruel
Prevendo o que há de vir..
Esse devir tão tristonho
Anuncia horas de uma ausência
Que fará parte da história
Um lindo começo e um fim doloroso
Mas talvez necessário..
Necessário para nossa libertação
Para que nossa caminhada
Seja outra.
As lembranças de um começo que me parece tão próximo
A imagem do amanhã me vem
Da retirada de seu corpo do meu
Devolução de coisas tão suas
Da despedida...

Despeço-me
Com toda ternura de um amor ainda existente
Que precisa partir
Que precisa transformar-se em outra coisa


Despeço-me
Com toda ternura de um amor que existirá sempre
Com outra forma de existência
Que num devir
Será ternura e apreço de toda uma vida.


Assim nosso amor se encerra
Com toda ternura de um amor
Que foi muito esperado,
Que finalmente foi vivido
E que agora se vai
Como a chuva....

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Existência

As palavras não estão vindo mais..
Onde será que foram?
Tantas e todas de uma vez,
para onde foram??
Me sinto abandonada sem elas
Mas espera:
Elas estão aqui! sim, elas estão aqui..
Sempre estarão mesmo sendo apenas imaginação
mesmo sendo sentimento...
mesmo sendo sentido
Elas estarão...
E eu? será que estarei como elas?

Por um instante queria ser palavra
Pra poder brincar na boca de poetas
Pra poder ser e estar sempre
A cada nova inspiração,
A cada novo arrobo de paixão
entre poros de poetas...

Não serei palavras, mas estarei entre elas...
Ou elas estarão sempre em mim...

Sundj

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Aquela menina que um dia existiu...

Aquela menina que surgiu em tempos distantes
Imaginou que sua existência estivesse dada
Que sua vida fosse real..
Mas um dia desses de arvoredos
Ela, a pobre menina
Descobre que não existe
Que sua vida ficou no tempo passado..
Em verbos conjugados no pretérito
E hoje ela acorda e não ver sua imagem refletida
E se pergunta como?
E se dá conta que não existe,
Só sua imaginação,
Só pensamentos a fazem rememorar
Traçados em caminhos que percorreu..
Mas agora não há mais os caminhos.
Não há mais a menina que um dia existiu ...

Sundj

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Encontrar...

A ida, a vinda
A volta, o retorno
A estadia
A saída
O encontro
A distração
A percepção - Notada
A volta propositada
O encarar
A fuga
O riso
De novo, o encontro
E a estadia se torna então raiz...

Sundj

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

La pequenina...

O grande sabor de colorir
Desenhos rabiscados ao longo de tempos..
Enfeites como brincadeira
traz a mente lembranças que antes sem cor
Se tornam divertidas,
Pelo Tempo pintar
em nossas mentes o sabor de tê-los vividos...