Escritos Insanos e Sadios

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Mulher Árida

A porteira, a corrente
E a partida do menino
O choro da mãe latente

Entre aquele sol noturno
Percorri com ela caminhos de terra seca
As nuvens sobre o céu azul improlífico

A doçura e beleza árida de Darlene
Alegria fundada na imensidão da tristeza sua
Ao ver partir a cria

"Eu butei barriga e é teu!"

E esse seu de mim
Tive que partir
De fazer cruzar a porteira daquela profusão de terra vermelha

E me fiz ir...
Me fiz deixar...

Acompanho ela - A mulher
Sua sedução de barro
Autônoma de seus desejos
Seu corpo, seu cajado
Sua fortaleza, sua fraqueza ainda sim forte.

Nos rios cruzados
De roupas lavadas
Segue Darlene nua,
Risonha de seu pertecimento

Se deita, copula ela
No canavial, no rio, no chão de barro

Celebra cada cria feita
Fortifica seus pés-raízes

Linda Darlene
Mulher de áridez fértil
De mãos cálidas
Celebrante da vida

Tão doce e tão severina.


Inspiridado no filme: Eu, tu, eles.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Sob a toalha

À Fred Igor
Toalha arranhada
pela sua pele
pelo seu corpo
pelo seu suor

Sofreguidão de teu falo
naquele pano felpudo
cheio de nós

De nosso sexo
desesperado
apressado
pelo arrastar das horas

Demarcando o findar
de todas as fantasias
Trancando as portas,
janelas
escadas
caminhos...

Aquela toalha
abraçou seu corpo
Como o corpo de uma fêmea
copulando
Te agarrou e me desafiou -


Pois ela ainda te tem

e eu não mais terei.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Grãoseiros

grãos - seiros
Grãos

secos - molhados
São

miuídos - móio - de
Grãos
grão - tinhoso - não
são
mas - hão - de - ser
Grãos.




Alguns Segundos II

Um soneto
Uma prosa
Um texto inacabado

Complementação
Restos de sons
Sussuros de palavras

Rabiscos nas paredes
Papéis velhos
Sonhos poetizantes

Pedaços de letras
Formando um lugar

Orações sem concordância
Criando poesia

Surtos

Insciente escrita
Dedilhando
Sobre o papel


Dissonantes
Sentidos.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Contos de Fada

Pintei uma fantasia
Mas quando acabaram as tintas
Só ficou o borrão
Um rabisco
Um projeto do que seria
Mas que nunca será.

Sempre esta imagem pérfida
Andando em círculos
De contornos irregulares
Sempre passando pelo mesmo ponto
Volto à estaca zero.

Todos sabem
Eu sei
Mergulho em fantasias
E me reinvento
Mas tudo não passa de mentiras
Que digo a mim
Que afirmo ao outro

Eu sou não sendo
E não sendo, sou N I N G U É M.

Desaparecerei como pó
E meus grãos
Não semearão
Nada além de folhas secas.

Eu sou Macabéia.