Escritos Insanos e Sadios

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

C O M P O S I Ç Ã O

Entre dois

Amores/ desamores/ desacertos

Desertos/ rios/ sertões

Esse coração mendigo

De papel

Particulas de poeira

Pairam na minha condição

Na minha eterna composição

Entrelaços de fuxico

Enfeitam o chão

O terraço

Um laço dois entrelaços

Três lugares

Marcas

Impressões

Me vou errante

Pela terra árida

Desejosa por rios/ Por mares


Entre o doce e o salgado

Contos silenciados

Rezas xilografadas

Imaginário de combates

De sangue/ De facas/ De paixões!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Pretidade

Negruras
Me irrompem o útero
Me seduz para teu seio

Estas negruras, aquelas negruras!
Vivenciadas numa mesma matiz
Experimentadas no heterogêneo das existências

Ah! negruras vicerais...
Me põem na boca
O paladar de ser

Negruras Infantis, Femininas, Masculinas ...
Negruras felizes e violentadas
Negruras silenciadas e gritadas

Negruras são tantas
São muitas

Negruras Materiais
Negruras Subjetivas
Cartografia de sentidos...

Negruras Guerreiras
Negruras Poéticas
Negruras sem ser, mas ainda sim Negruras.

Negruras machucadas
Negruras Amargas
Negruras que negam e que afirmam

Ah! negruras!!!

Excitam meu paladar...
Invólucro de nossas (re) existências.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Samba da Poética

Dona Tristeza invadiu meu salão
Se apossou do samba
Expulsou a doce e bela Serenidade
Convidou seu amigo Fantasma
E embalou a cantiga

Foi para janela chamar Dona Nóia
Que por sua vez convidou Dona Insegurança
Que emplacou uma bela dança
Neste terreno sem chão.

De repente Seu Desespero passa diante da festa
mas porém com pressa
Segue seu destino ao encontro da Melancolia...

A Falta de Fé não podia faltar
Ela também esteve lá
Brindando a pobreza de alma.

A Dúvida chegou bem acompanhada com a Maldade
Doida de saudade
De pisar neste solo sem canção...

Todos a postos estão...
Brindado sua alegoria do samba-canção
E eu aguardo enfim,
A volta da Serenidade
Neste meu território sertão!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Ares dançantes...

Sinto silêncio agora
Pairo sobre o ar...
Leve
Sem rumos a dar
Numa trajetória livre

Apenas pairo
De braços abertos neste imenso céu
De nuvens brancas

Meu coração um turbilhão
De vontades
De querer o gosto do novo
O novo que reflete meu reflexo

O ar sob o meu rosto
Uma brisa delirante
Minhas mãos perfuram as nuvens
E eu chego a vários lugares

Mesmo estando no céu
Entre as nuvens
Eu chego
Onde meus desejos pairam

E mesmo estando em tantos lugares
Estou aqui
Bailando de braços abertos
No céu.

É só fechar os olhos e me acompanhar.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Outros Passos

Tenho preferido o silêncio
Tenho preferido o encontro ao acaso
Tenho preferido o suspiro quieto
Tenho buscado minha existência
Tenho buscado meu sorriso largo
Tenho deixado as antigas lágrimas
Tenho reencontrado meus próprios passos
Tenho tido o abraço quente das cores
Tenho preferido essa existência
Do agora.
Tenho caminhado no passado
Tenho percebido ele presente
De uma maneira diferente, talvez renovada.
Tenho caminhado por tantas estradas
Tenho abandonado a preocupação
Tenho me deixado ir...
Tenho me permitido encontrar..
Tenho deixado você ir...
Tenho deixado você encontrar...

Tenho...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Retrato dos Afetos

Complexidade são os sentidos
Transitoriedade são os caminhos
Distância é a intrepretação em variedade
O olhar nem sempre percebe
A complexidade dos sentidos, dos sentimentos.

Não é simples
O grito sufocado
Não é simples
O poema em outros versos

O que foi ainda está
O novo está. Compõe também.

Tudo em complexidade
Trajetórias de caminhos análogos
Seduzem os passos,
Passos que há tempos desejam estar entre caminhos análogos...

E o que foi?
Ainda está. Ainda existe.
Compõe.

Compõe em poesia...
Compõe em Existencia.

Retrato dos afetos.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Espelhos do Paraguaçu

Naquela manhã
Um poeta me presenteou
Colocando nela, naquela manhã ...
Meu nome

Recitando entre nossos passos
Versos que o acometiam
Diante do espelho d'água do Paraguaçu

A rostidade do poeta
era tamanha
era tão intensa em sua expressividade

Que o espelho d'água se curvou ... Ao passar o poeta!
O saudou dentre o silêncio
Dentre o único som entoado pelos pássaros.

E o poeta passou...
Passou mas não se foi.
Deixou marcada sua existência
No espelho d'água e
Na minha carne.

Nus na solidão
Daquele quarto de paredes
feitas por versos
Preenchidos de uma existência
inquieta e rebelde

Nus naquela cama
Ofegantes por reencontrar
Felicitos por tocar

Entre gemidos, sussurros e salivas
Nus na solidão
De duas vidas

Nus naquela cama
Passeamos nossas mãos
Experimentamos sabores
Brindamos e bebemos o líquido
Que percorria nossos corpos...

Nus na solidão.